DIMENSTEIN, Gilberto; KOTSCHO, Ricardo. A aventura da reportagem. São Paulo: Summus, 1990.
Resenhado pelos alunos: Ana Paula Sena, Carlos Rafael, Glória Raquel, José Otávio, Joycecleide Belleza e Ketleen Mesquita, do 7° período do Curso de Comunicação Social da Faculdade Boas Novas.
O que leva dois jornalistas a trocarem o posto de chefia pela experiência da reportagem? Esse é um questionamento analisado e justificado a fundo ao decorrer da obra, por meio de um relato de experiência dos jornalistas Gilberto Dimenstein e Ricardo Kotscho, comprovando que a preferência pelo trabalho direto com as notícias nas ruas, ao invés de se limitar em uma redação, é algo muito comum entre os profissionais que gostam de sentir na pele a aventura da reportagem, buscando sempre a versão mais próxima da verdade das notícias apuradas.
Segundo Gilberto Dimenstein, trabalhar a informação com o poder é uma questão complicada. Jornalistas lidam diariamente com armadilhas e contratempos quando precisam realizar uma cobertura, sendo os boatos a principal interferência.
Conhecida por apresentar grandes manchetes, Brasília é um dos principais ‘alvos’ da imprensa, tendo notícias publicadas, que em sua maioria, não são verdadeiras. Quem está no poder procura sempre usar a informação em seu benefício, o que nos faz pensar que quanto mais informação se obtém, mais poder se tem. Dimenstein destaca também, o fato de políticos que têm o costume de fornecer informações (notícias) sem se identificar. Eis uma ótima oportunidade para nascerem os boatos, e em contrapartida, a publicação das informações fornecidas. Jornalistas que não têm tanta experiência ou mesmo que não se comprometem em verificar se sua fonte é realmente confiável, findam divulgando os dados coletados, tendo que assumir a responsabilidade pela veracidade das informações.
Então qual seria a postura mais adequada na coleta de informações diante tantas fontes desconfiáveis? O conselho que Gilberto dá aos jornalistas se resume à proximidade. Para que não haja risco de perder certas informações que podem ser interessantes, o ideal é que o jornalista se mantenha próximo às suas fontes, sem, entretanto, criar um vínculo mais íntimo. Caso contrário, corre-se o risco da desistência da publicação.
Gilberto Dimenstein retrata de forma simples alguns casos de ataques por parte dos políticos contra a imprensa, numa tentativa de minimizar os escândalos criados em função da divulgação de certas revelações feitas em off. Infelizmente a luta pelo poder no meio político por vezes usa do jornalismo para criar confusão e manipular certas informações. É comum ver a vida privada de certos políticos divulgada na imprensa, numa tentativa de denegrir a imagem do rival. A função da imprensa tem sido totalmente distorcida e usada para fins egoístas, hoje é extremamente necessário que o jornalista saiba discernir versões de um determinado fato de fatos reais.
Segundo Gilberto, o jornalismo independente é interessante por procurar colocar as notícias acima das conveniências políticas, entretanto, é de suma importância que existam veículos de comunicação dispostos a “enfrentar o poder”, comprometidos com a busca pela verdade.
Ao contrário de Gilberto Dimenstein, Ricardo Kotscho não foca apenas no lado oficial das reportagens, com seu trabalho procura dar espaço às pessoas anônimas que raramente recebem a atenção da mídia.
Um dos casos apresentados por Kotscho, que retrata muito bem a busca pelos oprimidos em seu trabalho, foi a cobertura de uma tragédia ocorrida em Caraguatatuba, com o desfecho de mais 400 pessoas mortas soterradas sob as terras da Serra do Mar que deslizaram sobre a cidade.
Enquanto um repórter conhecido se dedicou em apurar a parte oficial do caso, Ricardo decidiu contar a história dos sobreviventes, que geralmente, só são citados nas reportagens ou só entram nas estatísticas. Outro caso muito interessante ocorreu durante a cobertura da visita do Presidente Costa e Silva a São Paulo. Querendo fugir do convencional, o jornalista procurou as pessoas que estavam no Horto Florestal, até encontrar com um senhor pipoqueiro, cuja história lhe rendeu uma matéria no jornal Estadão. Desde então, Ricardo Kotscho ficou conhecido como o “repórter pipoqueiro”, por escrever sobre assuntos considerados pela maioria como “sem relevância”. “Enquanto todos cobriam o palco, eu ficava pela platéia, dando uma espiada nos bastidores”, afirma.
É notável que ambos os autores expõem suas opiniões sobre o poder da comunicação e alertam a população para evidente manipulação exercida pelos poderosos. Um jornalista pode sim trabalhar de forma honesta buscando sempre veicular a versão mais próxima da verdade.
Em suma, a obra “A aventura da reportagem” descreve de forma simples e precisa, que apesar das interferências corriqueiras e das dificuldades encontradas ao trabalhar com apuração da verdade, os autores Gilberto Dimenstein e Ricardo Kotscho escolheram a reportagem por ter um enorme fascínio pela busca incessante das informações. Independente da busca de informações estarem centradas no poder ou nas pessoas anônimas, os jornalistas mostram sua preocupação pela busca incessante da versão mais próxima da verdade, sem se intimidar diante dos ataques do poder público.
É uma obra recomendada aos estudantes de Jornalismo ou mesmo aos Profissionais que se interessem pela reportagem e que tenham curiosidade sobre os trabalhos dos jornalistas, que apesar de distintos, têm o profissionalismo como característica.
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